Alô, galera!03/10/2014 | 07h01

Grêmio estudantil é espaço para estimular democracia e cidadania

Organização deve possibilitar experiência política aos alunos dentro das escolas

Grêmio estudantil é espaço para estimular democracia e cidadania Arte/Kzuka/Agência RBS
Foto: Arte/Kzuka / Agência RBS
Felipe Costa | Kzuka

felipe.luis@kzuka.com.br

Organizar festas, garantir um show legal no recreio estendido, levar bons palestrantes para falar aos colegas, deixar tudo pronto para as competições esportivas. A lista de possíveis atividades de um grêmio estudantil pode ser ainda maior. Mas, afinal, o que eles fazem de verdade?

Às vésperas das eleições no Brasil, conversamos com membros de grêmios de escolas de Porto Alegre para entender a importância da experiência, o que a iniciativa pode fazer pelos estudantes e como a política é vista dentro da sala de aula.

Alguns reclamaram do pouco tempo de gestão, que dura apenas um ano. Lembraram que é importante pensar no entretenimento da turma, mas que também se preocupam com cultura e formação política dos colegas. O grêmio do Colégio Monteiro Lobato, por exemplo, organizou no início desta semana um debate com representantes da ala jovem de cinco partidos que concorrem à eleição para governador do Estado.

::: Leia mais notícias sobre colégios e escolas :::

– Tentamos trazer o debate político pra galera. Já tivemos palestras pra falar de ditadura, direitos humanos, papel da polícia. Mas não podemos esquecer do entretenimento – diz Bruno Marcadella, 17 anos, presidente do grêmio do Monteiro Lobato.

No Colégio Farroupilha, as atividades do grêmio misturam esportes, cultura e instrução política. A presidente Gabriela Berwanger, 17 anos, lamenta, no entanto, que a opinião dos alunos pese pouco nas decisões da escola e torce para que esta questão seja solucionada nas próximas gestões.

– Estamos nos mobilizando para isso. Pensávamos que seríamos mais influentes – diz Gabriela.

Para fugir do estigma de “apenas organizar eventos no recreio”, o grêmio do Farroupilha focou o trabalho em oficinas culturais, além dos tradicionais shows e competições esportivas. Nesta semana, não por acaso, os interessados puderam participar de uma oficina de introdução à política.

O professor de geografia Victor Hugo Nedel, um dos três palestrantes do dia, afirma que o trabalho do grêmio vai além de congregar alunos e se preocupa com a formação cidadã dos colegas. Sobre a falta de voz que os alunos reclamam, mesmo sabendo que a autonomia dos grêmios é garantida por lei (7.398/1985), o professor lembra que, pela pouca idade, “os estudantes muitas vezes não têm maturidade para tomar certas decisões”.

Fabiano Engelmann, coordenador do Programa de Pós-Graduação de Ciência Política da UFRGS, explica que experiências que podem parecer banais, como organizar uma festa para a escola, são importantes na formação dos jovens. Ele vê, mesmo em eventos recreativos, uma demonstração da capacidade de organização da juventude, e aponta três razões para os grêmios estudantis, que já formaram líderes políticos renomados no passado, terem, de certa forma, perdido força atualmente: o desengajamento político da juventude, o modelo defasado de organização e o surgimento de novas formas de mobilização.

– O movimento estudantil dentro dos colégios ainda é muito importante e precisamos das lideranças formadas por estes grupos. Mas há uma pulverização da comunicação. Hoje, tudo pode ser organizado e planejado pela internet, como foram os movimentos sociais recentes, sem influência destes grupos, que talvez precisem encontrar novas formas de se organizar para continuarem ativos.

Segundo ele, em geral, também há falta de interesse de reivindicar algo nas escolas, principalmente nos colégios particulares.

Para Gabriela, do grêmio do Farroupilha, há sempre os que se interessam mais e os que nem pensam em ajudar ou participar. Para ela, a união entre os estudantes só rendem boas experiências para todos:

– Aprendemos a ver as coisas a partir de vários pontos de vista e a trabalhar de fato com as pessoas. Tudo isso teremos que fazer também na vida fora da escola.

O que é um grêmio estudantil?
É uma organização, com foco na aprendizagem, compartilhamento e garantia dos direitos estudantis. Deve possibilitar aos estudantes uma experiência política, de modo a exercer a cidadania por meio da proposição, do debate e da negociação de projetos. Seus participantes devem fazer parte dos projetos político-pedagógicos do colégio, assim como dos programas de cultura e lazer. Segundo a lei federal 9.394/1996, é de responsabilidade de diretores, professores e coordenadores pedagógicos repassarem aos estudantes todas as informações solicitadas para a abertura de um grêmio estudantil.

Como montar um grêmio em 7 passos

1 - Comunicar à direção e divulgar a proposta na escola.

2 - Convidar alunos e representantes de turma e constituir a comissão pró-grêmio.

3 - Elaborar a proposta de estatuto (no site da Ubes há modelo dos documentos).

4 - Convocar assembleia geral para decidir o nome, aprovar o estatuto, estabelecer o período de campanha e a data da eleição e definir os membros da comissão eleitoral.

5 - Formar as chapas que concorrerão à eleição na escola e promover debates entre os candidatos.

6 - Organizar e realizar a eleição (apurar os votos e registrar em ata as ocorrências) e divulgar os resultados.

7 - Enviar cópia da ata de eleição e do estatuto para a direção da escola e organizar e realizar a cerimônia de posse.

Notícias Relacionadas

DEIXE O SEU COMENTÁRIO PRA GENTE ;)

 

Mais sobre

clicRBS
Nova busca - outros