Um negócio pra chamar de meu04/07/2014 | 07h02

Jovens dão dicas de como abrir o próprio negócio

Veja como a galera consegue autonomia para colocar as ideias em prática

Jovens dão dicas de como abrir o próprio negócio Andréa Graiz/Agencia RBS
Foto: Andréa Graiz / Agencia RBS
Marina Ciconet | Kzuka

marina.ciconet@kzuka.com.br

Em busca da independência, autonomia e liberdade, cresce número de jovens empreendedores no Brasil. Mais da metade da galera pensa em abrir o próprio negócio. Mas o que acontece entre o querer e o colocar em prática?

Se você tem vontade de fazer acontecer, certamente já pensou em abrir o próprio negócio. Ser o próprio patrão, não cumprir tantos horários e ter liberdade para fazer escolhas é o sonho de 60% dos jovens universitários do Brasil, segundo pesquisa da Endeavor, publicada no ano passado. Mas, mesmo com vontade em alta, apenas 23% tira o desejo do papel.

Isso porque abrir mão do emprego fixo, com estabilidade e garantia de salário no fim do mês não é pra qualquer um. Ser empreendedor significa que, a partir do ponta pé inicial, toda a responsabilidade é sua.

Andressa Moraes se formou em Educação Física e começou a trabalhar como personal trainer em academias. Mas queria mais. Em 2007, quando tinha 21 anos, fez um curso de Treinamento Funcional, novidade em Porto Alegre na época.

- Logo os alunos começaram a me abordar e perguntar sobre os equipamentos. Resolvi abrir um pequeno estúdio. No primeiro mês, paguei as contas. No segundo, ganhei R$ 100 reais e vibrei! No terceiro, a coisa deslanchou - conta ela, hoje com 28 e proprietária do Studio Metaforma.


Andressa entre uma aula e outra na sua “segunda casa”

O diferencial dela? Nunca teve medo de quebrar a cara. Confiava no próprio trabalho e se dedicou aos estudos e especializações. Em 2010, descobriu o Kangoo Jump e foi a primeira profissional a trabalhar com a modalidade na Capital.

- Eu apostei. Comecei a dar aula individual e, em pouco tempo, a coisa explodiu. Tive que me mudar, abrir uma nova casa, dar conta de 70 alunas de uma só vez. Foi mais uma aposta ousada em pouco tempo de carreira. E investi todo o dinheiro que tinha - revela.

No Sul do país, a faixa etária que mais busca o empreendedorismo está entre os 25 e 30 anos, segundo o Sebrae. Os mais jovens, entre 18 e 24 anos, contabilizam só 16%. É o caso de Victoria Seger, que começou a criar a marca que leva seu nome antes da maioridade.


Noivas são a paixão de Victoria

- Na época do colégio, desenhava vestidos para as minhas amigas. Sempre amei tudo ligado à moda e nunca me vi fazendo outra coisa. Decidi cursar Design na faculdade, torcendo para cruzar com o estilismo no meio do caminho - diz Victoria.

Hoje, aos 25, desenvolve vestidos com um capricho único. Lida com sonhos de muita gente, já que atende debutantes e noivas todos os dias.

- Ser dona do próprio negócio não é fácil. Além de criar, eu organizo minha agenda, compro tecidos, atendo clientes, pago contas. Meu maior desafio é delegar, pois abraço tudo. Ao mesmo tempo, faço o que amo. Na minha área, criam-se vínculos, e isso não tem preço para mim.

INOVAR PARA APRENDER
 
Pesquisas apontam que as maiores dificuldades dos empreendedores em início de carreira são a alta carga tributária, a competição acirrada e a atração de clientes.

- Também precisamos melhorar no Brasil o empreendedorismo de inovação, para sermos mais competitivos globalmente. Nisso, o jovem que pensa em empreender exerce papel fundamental - diz Lubianca da Motta, gerente do Sebrae Porto Alegre.

Bruno Kruger, 20 anos, já faz sua parte. Precisou de apenas uma oportunidade para se aprimorar, arranjar um trabalho numa área até então desconhecida e partir para a abertura da própria empresa. Em 2011, teve o primeiro emprego em TI.

- Na época, fui questionado se tinha vontade de aprender. Respondi que sim e o dono disse que era o suficiente. Em pouco tempo, estava atendendo clientes de grande porte. E descobri que não existe não saber fazer alguma coisa. Existe falta de vontade de aprender - diz.


Bruno em sua primeira viagem financiada 100% pelo seu próprio negócio

Sempre que o Bruno falava que trabalhava com segurança digital, todos concluíam que ele desenvolvia sites. Então, surgiu alguém que precisava realmente de um e o guri decidiu: seu futuro era trabalhar com isso.

- Comecei a pesquisar no Google e aprendi a fazer. Em 2012 abri a Dich Digital, que é meu sonho realizado. Abdiquei de muito lazer e tive que aprender a administrar os riscos para colocar meu sonho em prática - conta o jovem empresário.

O empreendedorismo também tem muito a ver com o estilo de vida de cada um.

Segundo a pesquisa da Endeavor, o primeiro objetivo de quem decide abrir um negócio é  a independência. Mas se o projeto tem a cara da pessoa, o incentivo - e a disciplina pra fazer dar certo - é bem maior.

Esse é o lema da gaúcha Catherina Sampedro, 24 anos, que há dois anos abriu a loja Lili Sampedro, em Garopaba, litoral Sul de Santa Catarina, especializada em beachwear. Ela cursava Economia em São Paulo quando foi questionada pelo pai sobre o que gostaria de fazer no futuro.

- Percebi que curtia tudo relacionado à moda. Acompanhava blogs, desfiles, gostava de desenhar, estava sempre de olho nas tendências. E foi isso que fiz. Abri as portas em Garopaba com intenção de aproximar turistas e moradores locais em um ambiente bacana e com a cara da praia, sem abrir mão da qualidade e do estilo próprio - diz Catherina, que hoje mora por lá. Como administra à distância? Grana dos pais no investimento inicial?


Catherina, a empresária praiana por opção

A jovem empreendedora apostou num negócio que tinha tudo a ver com ela. Já morou nos Estados Unidos, na Austrália, nas Bahamas e em Barcelona, e leva o lifestyle de praia pra qualquer lugar que vá.

- Trabalhar com o que amo e morar onde quiser não tem preço. Faço com amor e isso fica claro nas minhas coleções. Tudo que abri mão não representa 1% comparado aos ganhos que esta escolha me proporcionou. Se você tem esse sonho, vá em frente. Com garra, disciplina, uma ideia inovadora e paciência pra chegar onde quer - ensina.


8 DICAS PARA ABRIR SEU PRIMEIRO NEGÓCIO

1. Aposte na experiência
Se não tem experiência na área em que deseja iniciar uma empresa, uma boa dica é procurar um sócio, funcionário ou até mesmo uma consultoria que já tenha certa experiência no ramo em questão.

2. Adquira capacitação e conhecimento
A busca pelo conhecimento sobre a área em que se quer atuar é fundamental. Cursos de capacitação são importantes para entender melhor os problemas cotidianos, desenvolver a capacidade de identificá-los e solucioná-los de maneira rápida, eficaz e mais econômica possível.

3. Elabore um plano de negócios
Começar uma empresa sem um bom plano de negócios é o primeiro passo para o fracasso. Defina a estrutura operacional, crie um plano financeiro detalhado com o total do investimento, capital de giro, custos e previsão de rentabilidade da empresa no 1º, 2º e 3º anos. É aconselhável também criar um plano de marketing para identificar público-alvo, mercado e estratégias de venda.

4. Gere valor para o cliente
Para se destacar em um mercado com tantos concorrentes, é preciso levar em conta a importância de ter um diferencial e gerar valor para o cliente. Responder a perguntas do tipo: “Como mostrar que a minha empresa existe? Por que o cliente me daria a preferência? Qual é o meu diferencial?” ajudam a identificar e implementar novas estratégias.

5. Faça investimentos assertivos
Geralmente o empresário possui o capital necessário para o investimento, mas não consegue identificar de forma correta onde deve investir o dinheiro. Áreas como marketing, capacitação de funcionários e estruturais devem ser priorizadas, pois estão ligadas diretamente ao cliente e ao funcionamento da empresa.

6. Mantenha capital de giro suficiente
Antes de iniciar as atividades, tenha em mãos pelo menos o montante suficiente para manter as despesas gerais da empresa por um ano. Os primeiros meses são de adaptação ao mercado e não geram grande entrada de dinheiro no caixa, o que pode não ser o suficiente para pagar despesas essenciais da empresa.

7. Separe as finanças pessoais das da empresa
Uma dica é estipular um salário para o proprietário, que deverá ser retirado juntamente como o pagamento dos funcionários. Evitar retirar dinheiro fora das datas pré-fixadas para o pagamento e manter bem estruturado o controle financeiro da empresa também são tarefas importantes.

8. Controle a ansiedade
A ansiedade pode causar grande frustração antes mesmo que clientes importantes tenham conhecimento de que sua empresa existe. Inúmeros fatores podem atrasar o reconhecimento da empresa, por isso os esforços devem ser direcionados corretamente, na busca por conhecimento e capacitação, vontade de trabalhar e incentivos para inovar.

*Por Vinicius Roveda, CEO da ContaAzul, que oferece apps online para pequenas empresas. Em 2011, a ideia dele foi selecionada pela 500 Startups. Hoje, tem mais de 20 mil clientes e é só sucesso.

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