Chuck Norris24/02/2014 | 18h53

Ex-aluna do MIT faz palestra em colégio de Porto Alegre

A paulistana Bel Pesce, fundadora da escola de empreendedores Faz Inova, conversou com os alunos do 3º ano do Colégio Farroupilha

Ex-aluna do MIT faz palestra em colégio de Porto Alegre Ariel Gil/Agência RBS
Bel Pesce palestrou na aula inaugural do terceiro ano do Colégio Farroupilha Foto: Ariel Gil / Agência RBS

Os portões da escola estavam fechando quando ela entrou, mas a fiscal não poderia liberar um não-inscrito a fazer a prova, que vinha dos Estados Unidos em números contados. A não ser que alguém faltasse. Era 2006. Na aula inaugural dos alunos do terceirão do colégio Farroupilha, em Porto Alegre, a jovem Bel Pesce, de 26 anos, explicou como desistiu do vestibular do Instituto de Tecnológico de Aeronáutica, no Brasil, pelo difícil processo seletivo do Instituto tecnológico de Massachucetts, nos Estados Unidos. Por sorte, um candidato faltou.

– Aos 17 anos, suas razões não são para a vida toda –, filosofa ela sobre o dia em que decidiu tentar uma vaga no MIT.

Com oito vencedores do prêmio Nobel em seu corpo docente, o MIT (que já formou mais de 70 ganhadores do prêmio) seleciona alunos através de um teste rigoroso. O bom desempenho de Bel na prova foi resultado de um método de estudo forçado pelas avaliações diárias do seu colégio no ensino médio.

– Eu comecei a me esforçar para aprender tudo no momento, não depois. A maioria das pessoas desliga o cérebro quando deveria prestar atenção porque sabe que vai ter tempo para estudar depois – disse ela para uma centena de adolescentes que já não faziam mais o mesmo barulho de antes de a palestra começar.

Passada a difícil prova do MIT, uma entrevista com um ex-aluno do instituto (que
ela mesma teve que encontrar, no Brasil) e redações sobre temas variados, um desafio já previsto: como pagar a faculdade e bancar a vida nos Estados Unidos? Com a resposta afirmativa do MIT, Bel começou a trabalhar para juntar o suficiente e cobrir as despesas do primeiro semestre.

Antes de completar um ano nos cursos de engenharia elétrica e ciência da computação, administração, matemática e economia, já havia aberto sua primeira empresa, a WaterAfrica, com a ajuda de colegas de faculdade. Bel bolou um sistema de tubulações desmontável, que funcionava à base de energia solar, para distribuir água potável dentro de vilarejos de Moçambique.

– Nós criamos o sistema, mas ele era instalado durante o dia e à noite era roubado – lamenta.

Madura, Bel já sabe que o erro faz parte do aprendizado e os fracassos devem interessar tanto quanto as histórias de sucesso. E admite seu maior erro, com certo pesar. Deixou de lado o sonho de infância de trabalhar nos estúdios de animação da Pixar. Aos dez anos, quando montava pulseiras em casa e imaginava jogos, já tinha se encantado por Toy Story, primeiro filme da empresa, e se imaginava trabalhando lá. John Lasseter, CEO da empresa, chegou a criar um cargo exclusivo na companhia para contratá-la, mas uma proposta “melhor” do Google a desviou do sonho.

– O que é melhor tem que ser o que é melhor para você. Às vezes, precisamos deixar de lado o dinheiro e a opinião das outras pessoas – diz.

Na Microsoft, onde criava aplicativos para smartphones, recebia mimos de todos os tipos para permanecer na empresa. Ingressos para cinema e espetáculos na Broadway, jantares nos melhores restaurantes, tratamento de estrela que, garante, não influenciou nas suas escolhas.

Antes dos 30, já ajudou a desenvolver um sistema de telefonia móvel de baixo custo para eliminar a necessidade de grandes antenas em países em desenvolvimento. Fundou um site com serviço de auxílio de distribuição de tarefas e uma rede de discussões para incentivar a prática do brainstorming. Criou um blog e dois canais no YouTube, um deles com quase 15 mil assinantes. Em dezembro, vendeu o aplicativo Lemon Wallet, de gestão financeira, por R$ 100 milhões para a Lifelock.

Motivada pelo sucesso de seu primeiro livro, A menina do Vale, que teve 1,5 milhão de downloads em três meses, iniciou, há um ano, um novo projeto: a Faz Inova, que pretende ser a maior escola de empreendedorismo do mundo. Em 2012, ela foi eleita uma das 100 personalidades mais influentes do país pela revista Época. De 18 de março de 2006, quando recebeu a carta de aprovação do MIT, até hoje, a menina que agora deixou o Vale quer, no Brasil, mostrar como as pessoas podem
criar a própria sorte.

Olha só os cliques dessa manhã agitada no Farroupilha:

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