23/05/2013 | 15h54

LER OU NÃO LER, EIS A QUESTÃO

Como você lê? Entenda os hábitos e desafios da leitura para os jovens e como eles estão mudando

LER OU NÃO LER, EIS A QUESTÃO Félix Zucco/
Foto: Félix Zucco

Molhar a escova, aplicar a pasta de dentes e voltar a molhar a escova. Prender o cinto de segurança antes de ligar o carro. Dizer “saúde” depois que alguém espirra, ou “boa noite” ao William Bonner. Esses são alguns hábitos que muita gente tem e faz sem pensar. Assim é também com a leitura. Para muitas pessoas,mergulhar numa história página após página precisa virar rotina antes de prazer. O problema é como fazer isso.

Mais do que um prazer ou uma obrigação, a leitura também é um hábito. Em muitos casos essa ligação com os livros ocorre ainda na infância, por influência dos pais e familiares, os primeiros professores.

– A família incentivou bastante, ler foi sempre importante. Cresci cercada por livros e minha mãe lia pra mim quando eu era pequena – diz Letícia Zalewski, 18 anos, que pretende cursar Psicologia. A garota entende que a leitura obrigatória para o vestibular – apesar de muitas vezes ocupar o espaço de livros que ela gostaria mais – é importante para melhorar sua cultura geral.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, a figura materna é, ao lado dos professores, quem mais influenciou no hábito dos brasileiros considerados leitores. O mesmo estudo diz ainda que 88% dos entrevistados consideram que ganhar livros foi um fato relevante em suas vidas e que pesou no seu gosto pela leitura.

Pode ser difícil começar a criar esse hábito e mantê- lo durante a vida, pois cada vez mais existe uma concorrência de atividades paralelas que acabam dividindo a atenção e o tempo dos leitores.

– Muitas vezes eu preferia estar jogando videogame, dormindo ou vendo TV. Mas, provavelmente, se não estivesse lendo um livro, eu estaria lendo jornal. Quando vou dormir sem ler parece que falta alguma coisa – explica o estudante Felipe Braga, 18 anos, que não gosta de ler, mas o faz por obrigação.
A escritora Annie Muller, que escreve sobre e para adolescentes – com os quais tem bastante contato –, sabe que é necessário certo esforço do leitor para que o hábito surja e se mantenha, mas também acredita na paixão pelas boas histórias.

– Eu tenho uma teoria que é a da primeira magia: o primeiro livro que te emocionar, e você sentir o poder que ele tem, é sinal de que essa relação vai continuar – diz ela. Pode ser à primeira vista, ou demorar alguns anos para que isso ocorra. E, como em qualquer relacionamento, é necessário manter contato sempre que for possível, ou o distanciamento pode fazer com que essa paixão esfrie, e o hábito da leitura seja substituído e não volte mais.

ADAPTAÇÃO AOS NOVOS TEMPOS
O acesso à internet cada vez mais facilitado faz com que o público tenha diversas possibilidades de lazer, e muitas vezes isso está relacionado com a leitura – mesmo que não seja de livros. Essa rivalidade entre o livro e outras atividades não impede que o mercado editorial brasileiro registre aumento no número de títulos publicados, mesmo que em tiragens menores, segundo pesquisa da Fipe/USP feita em 2011 a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Esse crescimento e diversidade de livros existentes hoje no país ainda são predominantemente impressos. Os equipamentos leitores de livros eletrônicos (e-books) engatinham por aqui, e as editoras ainda faturam mais com a impressão e venda em livrarias. É um mercado que ainda está se expandindo, e que, segundo Annie Muller, irá dominar a geração que hoje não tem mais de 10 ou 12 anos de idade.

Uma pesquisa feita na Inglaterra comprova esse pensamento. Por lá, já se verifica uma mudança nos hábitos de leitura da gurizada, que prefere a tela digital ao livro impresso. Um estudo feito pela National Literary Trust e divulgado pela BBC mostra que mais da metade (52%) dos jovens entre 8 e 16 anos preferem ler em telas, e apenas 32% gostam do livro em papel. O restante não tem preferência ou o hábito de ler.

Inaiara Vargas, 17 anos, nunca experimentou ler livros em plataforma digital, mas tem curiosidade e acha que não seria um problema. A estudante gosta de anotar palavras e destacar trechos, mas cita a praticidade e a possibilidade de reduzir o peso da mochila quando cursar a faculdade de Direito. Já seu colega no cursinho, Lucas Bervian, 19 anos, que pretende estudar Medicina, entende a praticidade dos e-books, mas afirma já ter feito o teste e encontrado dificuldades de se acostumar com outros meios.

– Tentei ler livros eletrônicos, mas depois de certo tempo, senti cansaço e dores de cabeça. Tentei também com audiolivros mas não me adaptei, me distraio com qualquer coisa que passe na minha frente e não deu certo – explica ele.

NADA SUBSTITUI UMA BOA LEITURA
Lucas sabe que às vezes a gente demora para se acostumar com algumas coisas, não apenas com novidades tecnológicas. Ele cita o caso em que começou a ler um livro de José Saramago, mas precisou dar um tempo e recomeçar um mês depois para conseguir se situar e compreender o escritor. Segundo Annie Muller, a forma de escrever mudou, assim como a forma com que as pessoas pensam e lêem.

– Muitas histórias hoje são mais curtas, menos lineares, mas com mais intervalos, mais respiros. Um bom exemplo moderno é O Diário de Um Banana, do norteamericano Jeff Kinney. Existem muitos livros feitos hoje em que o leitor participa, complementa a história e interage com o autor – diz ela. A internet aproximou os dois lados e colocou em contato muito mais direto quem escreve e quem lê.

– Às vezes estou lendo um livro bom, gostando muito da história, e eu deixo ele de lado um pouquinho pra não acabar logo, pra ele durar mais – admite Inaiara. Mudam as plataformas, mas não os efeitos de boas leituras e, além de criar o hábito, também deixam saudade e uma vontade de querer ler mais.

PRÊMIO RBS DE EDUCAÇÃO: PARA ENTENDER O MUNDO
A primeira edição tem como tema a mediação de leitura e vai reconhecer experiências de estímulo à leitura entre crianças, jovens e adultos. Como cada texto exige uma competência diferente, a tarefa do mediador é auxiliar o leitor a estreitar seu contato com a palavra escrita, buscando formas de compreendê-la.

A premiação não se restringe a projetos nas disciplinas de português e literatura, já que as habilidades leitoras também são fundamentais nas áreas de matemática e ciências, entre outras.

O objetivo é valorizar o trabalho de professores e educadores, e disseminar práticas educativas de sucesso em Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Serão escolhidos 18 finalistas nos dois estados, divididos em 3 categorias (Professor de Escola Pública, Professor de Escola Privada e Projeto Comunitário). Entre esses, serão também eleitos dois vencedores por júri popular.

Todos os finalistas receberão R$ 1.500. Os seis vencedores de cada categoria (três de cada estado) e os escolhidos pelo Júri Popular (um de cada estado) receberão R$ 10.000. Além disso, as escolas e/ou instituições indicadas pelos vencedores das três categorias e do júri popular também serão reconhecidas, recebendo R$ 6.000.

As inscrições vão até o dia 14 de julho neste link e no Twitter @NossaEducação

RETRATOS DA LEITURA NO BRASIL
Pesquisa feita pelo Ibope para o Instituto Pró-Livro, com dados de 2011, mostra que o número de pessoas que leu um livro inteiro ou em partes nos últimos três meses no Brasil caiu 5% desde 2007.





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