NO-VI-DA-DE 08/08/2014 | 07h04

Jovem gaúcha é dona da voz brasileira do Google

Aos 27 anos, ela é a segunda a gravar em português para a gigante de tecnologia

Jovem gaúcha é dona da voz brasileira do Google Arte Kzuka/
Foto: Arte Kzuka
Felipe Costa | Kzuka

felipe.luis@kzuka.com.br

Os ouvidos mais atentos já devem ter reparado que a tradicional voz brasileira dos produtos do Google mudou. Devido à criação do Google Now, assistente pessoal inteligente para smartphones, a empresa americana precisou se atualizar. E (leia com a voz do Google) A GRAN-DE NO-VI-DA-DE É: a escolhida para a tarefa foi uma gaúcha de Estância Velha, cidade da região metropolitana de Porto Alegre.

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Desde maio deste ano, quem tem um smartphone com sistema Android atualizado pode perguntar ao próprio telefone a previsão do tempo, os resultados de jogos de futebol, significados de palavras, ou qualquer dúvida que normalmente seria direcionada ao buscador – e ouvir a resposta em português. O aplicativo já funcionava com reconhecimento de voz e respostas em outros seis idiomas.

O Google procurava uma voz jovem e tinha pressa em encontrá-la antes da Copa do Mundo. Por exigência de um contrato de confidencialidade, a moça de 27 anos não pode ter sua identidade revelada, mas a história é a seguinte: em 2011, ela foi morar em Londres, na Inglaterra, e, dois anos depois da mudança, precisando de uma grana, se candidatou para um trabalho de locução. Não tinha nem ideia do que se tratava (e os outros 82 canditados à vaga não sabem até hoje). Quando passou no teste, descobriu que seria a segunda voz brasileira a gravar para a empresa.

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No dia a dia, ela não fala como “a mulher do Google”, como você pode ter imaginado. A pausa na voz no tradutor online, explica, é para que quem não é familiarizado com a língua entenda. Durante seis meses, ela repetiu fonemas, palavras e frases por sete horas diárias. O sistema Text to Speech,Texto-Voz, em português, faz a junção fonética instantânea assim que o usuário escreve uma palavra ou acessa uma nova rua, por exemplo. Para aguentar a rotina de gravações, ela teve que maneirar para não forçar demais a voz ao cantar com a sua banda, tomar cuidado com o frio londrino e cortar a ingestão de qualquer bebida alcoólica.

– Foram seis meses de trabalho árduo, foi muita responsabilidade. Trabalhava todos os dias e tinha que tomar muito cuidado para não ficar rouca ou sem voz – diz.

Ela esperava que sua voz fosse parar apenas no não-tão-conhecido Google Now, mas se surpreendeu quando se ouviu no sistema de mapas e no tradutor. Todos os softwares da multinacional de serviços online foram atualizados e, junto com eles, as vozes. Foi só os amigos ficarem sabendo para as brincadeiras começarem:

– Agora até parou. Mas no começo teve bastante brincadeira, sacanagem. Me ligavam e, em vez de falar, colocavam o tradutor. Gravavam na internet e me mandavam por WhatsApp, ou então ficavam pedindo pra eu fazer a voz.

Do Google para o iPhone

Quem pode falar mais sobre as brincadeiras ao ser a voz do Google é Regina Bittar, primeira brasileira a gravar para o programa de tradução, criado em 2010. Ela teve sua voz utilizada para trotes que ficaram famosos na internet, como o de dois adolescentes que pediram uma pizza utilizando o sistema.



– Gostei de ter virado celebridade pela minha voz. Antigamente, as vozes do rádio ficavam famosas, mas agora é um fenômeno difícil de acontecer. Além dos vídeos narrando lutas, futebol e um monte de trotes, as pessoas me pedem pra repetir nomes ou falar qualquer coisa, só pra me ouvir – conta ela.

::: Três vídeos com gravações de trotes usando a voz do Google :::

Regina diz que descobriu por acaso que era sua a voz do tradutor. Como trabalhava com o locucação para uma empresa que prestava serviços à gigante da tecnologia, não tinha ideia onde algumas de suas gravações iriam parar. Até que, conta, ficou com dúvida sobre a pronúncia de uma palavra e jogou no tradutor online. Hoje, além dos trabalhos como mestre de cerimônias e locução de propagandas, migrou a voz para o iPhone.

– Quando saí do Google, minha voz já estava no iPhone, como a voz Luciana, uma das opções do celular. Quem me avisou foi um grupo de deficientes visuais que usa o sistema de reconhecimento.

Agora, ao conversar com as pessoas de Estância Velha ou Porto Alegre, onde a atual voz do Google trabalha como produtora em uma gravadora, preste bem atenção para ver se o timbre não é familiar. E, se ao ouvir o tradutor ou a ajuda dos mapas ficar com saudades, não se preocupe: Regina não se aposentou, apenas mudou de sistema.

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fazem no Google :::

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